Malas prontas, eu nem tanto.

Acabo de arrumar minha mala e o toque de recolher foi dado: nada mais entra ou sai. A mala está oficialmente lacrada.

Eu sempre achei que seria uma dessas pessoas que fazem a mala tranquilamente e fecha o zíper com folga , que possui um nível buda de desapego a ponto de deixar muitas coisas para trás sem sofrer, que colocam uma peça de cada tipo de roupa na mala e ficam ok por não levar aquela camisa xadrez que se tem tanto amor (essas pessoas existem?). Da série de coisas que eu queria nessa fase da minha vida, umas delas sem dúvida, é  ser uma dessas pessoas.

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Bem, embora eu já tenha feito muitas mochilas para viagens de até um mês, descobri que sou péssima fazedora de malas. Levei dias para organizar minhas coisas, decidir o que vai e o que fica e a cada peça que eu colocava de lado, era como um filho abandonado. Tudo bem que, em minha defesa, devo dizer que me saí bem com a parte do desapego, uma vez que doei a maioria das roupas que não foram pra mala, porque pra mim não faz sentido ter roupas sem uso amontoadas durante sete meses no guarda-roupa criando mofo.

Engraçado que eu sempre ri por dentro quando ouvia relatos de amigos contando todo o malabarismo e modo como sentavam na mala para fechar. Não cheguei nesse ponto, mas quase viu? Eu tive uma breve luta corporal com a minha mala para que o zíperfechasse por completo, depois de ter reorganizado todos os itens umas três vezes pra caber. Sofrido.tumblr_mwu8k2ZzYO1snwtzdo1_500

Fazer mala é mais difícil do que eu imaginava. É um trabalho cansativo, minucioso e requer um controle emocional e psicológico muito forte para não sentar (na mala) e chorar. Não só pela minha evidente inabilidade de fazer malas, mas também por toda a gama de sentimentos de se preparar para o desconhecido.

Nesse meio tempo de preparativos, existe outra mala que precisa ser organizada antes da partida: aquela que fica do lado de dentro do peito. Então são muitas pessoas, muitos encontros, muitos sentimentos para cuidar, dobrar do modo mais compacto possível e encaixar de modo que tudo fique muito bem acomodado e que o zíper feche no fim das contas. E assim como na outra mala, nem tudo cabe. Nem todas as despedidas são possíveis, nem todos os abraços são dados, nem todas as palavras são ditas.  E neste caso, o desapego não se aplica. Não dá pra doar, apenas doer. É sentar e chorar mesmo.

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Então eu sigo assim: de malas prontas. Feliz, porém, triste. Feliz por esse novo desafio, por remar contra a corrente e seguir mais uma vez um sonho meu. Triste por tudo aquilo que não estou levando comigo: meus livros, filmes (RIP Netflix), minhas músicas, minha gata, amigos, amores e família. Triste pelo alto preço que se paga e por tudo que se sacrifica para realizar um sonho. Feliz por finalmente realizá-lo.

Acabo de arrumar minhas malas e não tem mais volta, o toque de viver foi dado: Se conformar com o peso de tudo aquilo o que fica e viver de peito aberto tudo que vem pela frente… 🙂

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