Pra não dizer que não falei das flores

Em todos esses meus bem aproveitados (e longos?) 23 anos de vida, assim como a maioria das pessoas, já ganhei inúmeros tipos de presentes. Já ganhei livros (amo!), cds, dvds, canecas, bebidas, acessórios dos mais diversos, ganhei viagens, ganhei até uma incrível festa surpresa de aniversário, além de uma série de outros presentes de valor imensurável que dinheiro nenhum do mundo compra: Conselhos, abraços, carinho, gargalhadas, novas experiências, bons sentimentos e boas recordações. Porém, contudo, entretanto, todavia, existe uma coisa que eu sempre achei que estaria fora da lista:

Flores.

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E bem, levando em consideração meu histórico de namoros de longa data (anos e anos namorando), não é que eu não tenha tido oportunidades de ser presenteada com flores até então. E a verdade é uma só: Eu sempre achei um presente mórbido e sempre deixei minha opinião sobre o assunto bastante clara.

Primeiro porque, ao serem retiradas do jardim (ou sei lá de onde elas são tiradas hoje em dia), as flores morrem. Logo, ao receber um buquê de flores, você está recebendo, de forma implícita, um punhado de coisas que estão, literalmente, morrendo em suas mãos. E a cada dia que passa, elas morrem um pouco mais, até chegar o dia em que será apenas um punhado de folhas secas (e eu já disse mortas?) que você terá que jogar no lixo. Além de ter que lidar com a consciência ecológica que há por trás disso tudo.

Pois é. Sou mais chata do seu sou capaz de admitir e menos agradável do que vocês conseguem imaginar.

Sempre que era possível e sempre que esse assunto vinha à tona – geralmente acontecia quando alguém próximo ganhava flores -, eu fazia questão de reafirmar essa minha velha opinião formada para a pessoa que eu namorava: Citava todos os motivos acima, com muita convicção e sempre terminava o discurso assim: Nunca me dê flores. Obrigada. De nada.

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Eis que umas semanas atrás, um desavisado que sem dúvida alguma, desconhece a minha opinião sobre ganhar flores, achou que seria uma boa ideia me presentear desse modo.

E foi mesmo uma ótima ideia.

Tava lá de boas vivendo mais um dia dos meus queridos 23 anos, dormindo às dez da manhã de uma terça-feira, feliz da vida e sou surpreendida com a entrega de um enorme buquê de flores. Tipo: Oi? Você tem certeza que é o endereço certo? Acho que não são pra mim, simplesmente porque não podem ser. Li o cartão e não tinha como não ser pra mim. O que me deixou sem reação, com o coração na garganta e como se estivesse com uma bomba no colo por não saber o que fazer. A bomba mais bonita que já vi na vida.

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Desconcertada, passei milhões de minutos olhando para aquele punhado de beleza na minha cama, meio sem saber o que fazer com elas. Passei a mão nas pétalas pra ver se eram de verdade. Eram incrivelmente frágeis e macias. Me atrevi a aproximar meu rosto e meio sem jeito cheirei o buquê. Eram suavemente perfumadas e a sensação me tirou um pequeno sorriso do rosto. Hum. Eu não tinha borboletas no estômago. Parecia mais o globo da morte no estômago. Então é isso que se sente quando se ganha flores?  Não me pareceu tão ruim assim. Arrumei um vaso com água pra elas, coloquei na mesa da cozinha, agradeci pelo presente. E voltei a dormir (porque não se acorda ninguém à essa hora da madrugada!) Quando acordei fui buscar água na cozinha e me deparei com aquele deslumbrante buquê na mesa. Meu coração acelerou. Instantaneamente arrancou um sorriso bobo do meu rosto e o globo da morte recomeçou no meu estômago. E eu não pude evitar passar alguns minutos olhando para elas e pensando em quem havia me presenteado.

Bom, ao relatar tudo isso, o dia já estava no fim e eu tive muitos outros “encontros” com as flores na cozinha. E toda vez que as via, sentia meu coração acelerar, um sorriso sendo arrancado do rosto e o globo da morte acelerando no estômago mais uma vez. Foi aí que entendi qualé o lance de ser presenteada com flores.

 Não se trata das flores. Nem do buquê. Não se trata de mais um presente romântico que cedo ou tarde vai morrer em cima da mesa da cozinha. Trata-se de algo muito mais significativo e que supera qualquer consciência ecológica que se preze. É um presente mágico. Porque toda vez que me deparava com a exuberância dessas flores (sério, elas eram muito lindas), sinto uma pontada de felicidade no peito. Eu olhei pra elas umas duas mil vezes então dá pra imaginar o quão feliz eu estava naquele momento. Sabia que elas iriam morrer. Mas a felicidade que a beleza delas me causou, fez valer à pena.

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Racional que sou, é bizarro pensar que um punhado de flores me fez feliz pelo tempo em que elas viveram. Mas de um modo bem bobo e simples, elas fizeram mesmo. Assim como a pessoa que me deu. Amei o presente, amei ser surpreendida e amei que isso tenha acontecido agora, com meus lindos 23 anos de idade. Porque nunca é tarde pra mudar de opinião. E esse foi o jeito mais doce de me mostrar que estou errada sobre esse assunto. ❤

RIP Flores (e muito obrigada pelo presente).

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