O que diabos estou fazendo da minha vida? II

Parte um: [Clique aqui]

A coisa que mais me angustiava em fazer faculdade era a ideia de ficar presa durante quatro anos num lugar, sem muita escolha entre poder ir embora ou ficar. Era ficar e ficar. Escolher pela faculdade significava sossegar o espírito, deixar a estrada de lado e concluir da melhor forma possível o que eu tinha começado. O plano me parecia bom. Não seria fácil. Mas dava pra fazer.

Fato curioso é que eu trilhei um caminho contrário da maioria das pessoas que conheci na faculdade. Os semestres passavam e as pessoas se enchiam de certezas, formavam opiniões e tiravam suas conclusões sobre tudo. Tornaram-se especialistas da exatidão, embora estudassem humanas. Eu por outro lado, quanto mais evoluía dentro do meu curso, mais queria me descontruir, me despir das certezas e me desfazer das opiniões formadas. Aprendi que perceber o que cabia na pergunta, era muitas vezes, mais importante do que ter a resposta pronta. Tornei-me especialista do abstrato.

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A faculdade me deu uma visão tão abrangente do mundo que acabou por desassossegar mais ainda o meu estado de espírito. Eu não queria mais ouvir falar das coisas. Queria minhas próprias experiências empíricas: Queria conhecer novos lugares, experimentar novos sabores, ouvir histórias, mas, sobretudo, escrever as minhas próprias. E durante três anos, foi um misto de vontade e angústia. De querer e não poder. De sonhar e guardar os planos na gaveta. Meu cérebro estava tinindo com tanto conhecimento, mas minha alma definhava com a falta de mobilidade.

Não aguentei e, aos poucos, comecei a fugir do plano, caindo na estrada.

Claro que pelo compromisso com o faculdade e o  trabalho, eu não podia ir muito longe. Eram sempre viagens em finais de semana ou feriados. E então no terceiro ano da faculdade, decidi uma das coisas mais importantes da vida: Quando terminasse a faculdade, faria uma viagem pra fora do país. Não importava pra onde ou como. Eu iria.

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Finalmente terminei a faculdade fim do ano passado (2014) e já tinha em mente como faria minha primeira aventura internacional. Na verdade eu já vinha estudando algumas opções tradicionais como intercâmbio, trabalho voluntário (cuidando de filhotes pandas na China ou de Leões na África <3), Au Pair e um monte de outras opções. Todas caras e fora da minha realidade. Todas encantadoras e fora do alcance do meu bolso. Todas economicamente impraticáveis. Sempre me perguntavam nas agências: Qual seu orçamento? E meu orçamento é zero. (minha conta no banco diz que é abaixo de zero, inclusive).

Então o que fazer sem dinheiro? Como satisfazer minha necessidade de novos lugares? “Sem dinheiro, no way!” Muitos me disseram. Particularmente, acho que a maior benção de nascer pobre é que você se torna uma pessoa extremamente criativa. Eu sou dessas pelo menos. Invento caminhos, descubro novas rotas e transformo o “no way” em “why not?”. Eis que depois de muito pesquisar no google “como-viajar-pelo-mundo-sem-dinheiro-e-sem-me-prostituir”, encontrei um meio: Pelos mares!

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Pois é. Lá vou eu descascar batatas no navio clandestinamente, pra quem sabe, conseguir conhecer algum país do mundo antes de ser deportada novamente para o Brasil. Brincadeira. A verdade é que nos últimos meses tenho me preparado para trabalhar em cruzeiros internacionais. Encontrei esse jeito de conhecer o mundo sem dinheiro: trabalhando a bordo. Confesso que demorei um pouco pra falar sobre isso porque houveram muitas opiniões divergentes no começo: Ah, Jéssica, você dedicou 4 anos da sua vida estudando pra agora abandonar tudo e trabalhar num barco? Não. Eu dediquei 4 anos da minha vida estudando, concluí lindamente a faculdade, e agora quero realizar meus sonhos.  QUERO SER FELIZ. Trabalhando num navio? Pois é. A felicidade tem dessas coisas de não precisar ser extravagante e acontecer de modos inesperados, mas não menos especiais.

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Pela primeira vez na vida, tenho respondido “O que diabos estou fazendo da minha vida?” com total tranquilidade: Estou vivendo meus sonhos. Não sei se esse é o jeito certo de fazer as coisas, mas esse é o jeito estranho Jéssica fazer as coisas, o que pra mim, tem funcionado de um jeito atípico, esquisito e maravilhoso. Mal posso imaginar o quanto toda essa experiência vai me agregar enquanto pessoa, mas sei que terei muito pra contar por aqui, muito pra dividir com quem me lê. Talvez a minha jornada viking não interesse à todo mundo, mas sei lá. É meu jeito Forrest Gump de ser, meio aventureira, meio contadora de histórias. Se te interessar, senta aqui nesse banco comigo, escute (leia) todas essas minhas loucuras e com o tempo, vamos descobrir juntos o que diabos eu continuo fazendo da minha vida, além de ser feliz. 🙂

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3 pensamentos sobre “O que diabos estou fazendo da minha vida? II

  1. Isso ai, o importante é ser feliz , admiro sua coragem e determinação ! Parabéns pelo ato de achar sua felicidade, posso dizer q vc é uma pessoa inspiradora! Haaa e por favor continue me marcando nos seu post , pq eu ja disse q adoro ler o q vc escreve !

  2. Sinto um pouco de coincidências em nossos caminhos, hoje faço o percurso inverso, mas com a mesma dúvida… Talvez explicável pelas idades também invertidas, só sei que os sonhos também nós trazem medos. E acho que sua mensagem (uma delas) é que precisamos lidar com eles e continuar com os sonhos. Vai fundo ginger girl!! Você pode tudo o que quiser!!

  3. Pingback: Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é. |

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