As perguntas que você me inspira

Divide o Netflix comigo? Deita do meu lado e tenta me convencer que o filme sanguinário do Tarantino é melhor opção que o novo filme do Wood Allen. Não que eu goste tanto do Wood Allen, mas será delicioso escolher esse lado, só para ficar olhando pra sua cara de quem entende das coisas enquanto argumenta com informações de cunho histórico a genialidade tarantinesca. Você sabe, eu perderia a discussão no primeiro sorriso, de qualquer modo.

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Me deixa cozinhar pra você? Senta na cozinha com uma cerveja na mão enquanto banco a chef gourmet de pratos que aprendi no Youtube. Minha especialidade na cozinha é qualquer coisa que eu ainda não tenha feito e queira testar naquele dia. O gosto é bom, eu garanto. Talvez não consiga te impressionar de primeira, mas essa seria só uma desculpa pra cozinhar pra você de novo. Se nada der certo, a gente pede uma pizza e curte o melhor triângulo amoroso com borda recheada que possa existir.

Viaja comigo? Me leva pra ver o mar em qualquer litoral. Quero te mostrar como sou perita de Waze e me perco como ninguém mesmo com GPS. Me deixe ouvir sua longa explicação sobre as esferas dissipadoras eletro-geométricas presas nos cabos de aço entre as torres de energia, quando eu te perguntar por que diabos colocam bolas de basquete nos fios de alta tensão. Me divirta reclamando da imprudência dos motoristas que muito provavelmente estiveram na marcha contra a corrupção do ano passado.  O destino pouco importa se eu puder sentir o calor da sua mão na minha coxa esquerda enquanto você dirige.

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Dorme do meu lado? Me deixa ter a sorte de acordar no meio da noite depois de ter sonhado com você e sorrir por te ver ali, fora dos meus sonhos. Me acorda com aquela musiquinha estranha e feliz de “Good Morning” do seu celular e dissipa meu mal humor matinal com seu sorriso perfeito e ar tranquilo.

Me faz menos intelectual? Me joga no meio dessa loucura de não me lembrar de nada do que eu já aprendi na vida quando estou com você. Você nem imagina o quanto me sinto boba com qualquer conversa nossa. Me faça gaguejar e ficar sem resposta pela milésima vez. Me deixe a vontade a ponto de te contar minhas piadas mais sem graça. Me ensina a te entender, a ler seus sinais e a traduzir o que você não diz. “Aprender você, sem te prender comigo”, já dizia Anitelli.

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Me deixa te contar que seu beijo queima tanto quanto o Bourbon que você bebe. Me explica mais uma vez a diferença entre Bourbon e whisky, não por não ter entendido, mas por gostar de te ouvir falar sobre qualquer coisa. Apareça quando bem entender e suma quantas vezes forem necessárias, já que você bagunçou minha vida à ponto disso não fazer mais tanta diferença assim. Vamos conversar sobre o fato de eu respeitar a sua e (principalmente) a minha liberdade. De como o fato de saber “onde e com quem” você esteve, às vezes, machuca mais por inveja que por ciúme. E que às vezes eu também sumo pra lidar com o tumulto que você causa em mim, com tudo o que transborda sem querer e confesso que engarrafo saudade com doses nada homeopáticas de heineken e tequila.

Guarda esse segredo pra mim?

Nada disso se trata das respostas que você não me dá. Mas sim das perguntas que você me inspira.

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2 pensamentos sobre “As perguntas que você me inspira

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