Acontece que…

Não fico sorrindo à toa, não falo pelos cotovelos e nem gaguejo tanto em dias normais. Tenho uma ótima dicção à propósito.

Acontece que aquele dia foi anormal. Acontece que eu te vi no meu portão e não consegui mais tirar o sorriso do rosto, como se tivesse esquecido como relaxar a musculatura do maxilar e ficar séria de novo. Acontece que você me abraçou e eu tive uma estranha sensação de queda livre. Acontece que desde o primeiro minuto foi fácil falar de todos os assuntos que lembramos, desde seu vício por dvds até o meu ódio pelo matador escroto de ursos. Acontece que embora precisasse comer, não senti o gosto de nenhuma batata da porção que você pediu porque meu paladar estava eufórico com seu sabor. Acontece que as horas brincaram com a gente e de repente já era três da manhã. Acontece que nenhum de nós pareceu se dar conta disso. Acontece que eu estava tão encantada e tão boba que não queria me dar conta de mais nada.

Acontece que tinha sido perfeito.

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No dia seguinte eu achei mesmo que estivesse com algum problema no rosto, porque o sorriso continuava lá, mesmo você já ter ido embora há horas. Sei lá, ou era o efeito retardado ou a retardada era eu mesma, vai saber. Foda-se ser piegas agora, mas naquele dia eu acordei e tive medo de que tivesse sido real. Sempre achei que sonhar com a felicidade é sempre mais fácil do que vive-la de qualquer modo. Mas acontece que a persistente anormalidade da musculatura do meu rosto me fazia acreditar que tinha acontecido de verdade. E eu também tinha essa imagem na minha cabeça: você rindo de algo que eu havia dito. Preciso te dizer: Seu sorriso é tão bonito que até dói o peito quando me lembro dele.

Tudo estava igual, mas alguma coisa tinha mudado em mim. Eu simplesmente não conseguia te tirar da cabeça. Acontece que eu queria conversar mais com você, descobrir mais sobre suas manias e sentir o tiro de 12 no peito toda vez que você sorrisse pra mim. Queria ouvir sua voz de novo e sentir meu rosto queimar toda vez que você parasse de falar com a boca e passasse a falar com os olhos. Acontece que toda vez que eu saí de casa nesses dias, eu te procurei em cada esquina e passei a querer mais uma dose de você a cada gole de cerveja que bebi por aí enquanto bancava o personagem do Arthur Conan Doyle e tentava descobrir o quanto de mim havia no seu coração.  Acontece que passei a imaginar dias preguiçosos com cama, filmes, eu, você e risadas. Pensei em como uma gargalhada sua me atingiria bem em cheio no coração feito uma metralhadora. E como essa dor seria maravilhosa. Acontece que fantasiei com o dia em que poderia te dizer todas essas coisas sem medo.

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Mas toda vez que te encontrava eu não dizia nada. Só te olhava, te beijava e te consumia. Eu queria tanta coisa com você, mas ter você ali fazia com que todas as coisas fossem adiáveis. E lá estava eu de novo sorrindo à toa, falando pelos cotovelos e gaguejando mais do que em dias normais. Eu não sabia explicar qual a bruxaria envolvida nisso tudo. Então eu finalmente me dei conta.

Acontece que eu tinha me apaixonado.

E claro.

Acontece que eu tinha me fodido.

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