Cápsula do Tempo – Carta para o futuro

Ei amigos da rede Blog! 🙂

Hoje, dia 09 de Junho, aconteceu o encerramento das Comemorações dos 40 anos do curso de Comunicação Social da PUC Campinas… E a diretoria dos cursos do CLC (Centro de Linguagem e Comunicação) lançaram uma cápsula do tempo que será aberta daqui a 40 anos… Foi-me solicitado para que escrevesse minhas expectativas do futuro e gostaria de compartilhar essa carta com vocês. Espero que gostem! :*

Olá, “pessoa do futuro”. Meu nome é Jéssica Cristiane da S. Santos, tenho 19 anos e estou no segundo ano do curso de Relações Públicas da PUC. Quando você abrir esta “carta” já estarei com 59 anos ou talvez nem esteja mais nesse mundo.

A proposta da cápsula do tempo é muito interessante, porque de certa forma, através dela somos capazes de nos perpetuar no tempo – ao menos nossa forma atual de pensamento. Nós alunos, fomos instruídos a escrever sobre nossas expectativas do futuro – “como será o mundo daqui a 40 anos?”-, mas acho justo que você também possa imaginar como era o mundo há 40 anos. Por este motivo, antes mesmo de lhe mostrar minhas expectativas “futurísticas” irei lhe apresentar alguns pontos da minha atualidade e do cenário sociocultural em que vivo.

A começar pela febre da Internet e essa “cultura 2.0”. Confesso que isso me assusta, hoje vivemos sob a ideia de que a Internet é essencial na vida de qualquer pessoa. Eu por outro lado acho que a internet é só uma facilitadora e não deveria ser levada assim tão a sério. Meu conhecimento técnico sobre o assunto é estritamente leigo e não posso garantir que eu esteja certa a respeito disso, com certeza você terá um panorama muito mais claro que o meu sobre o assunto. Mas sempre me pergunto: Até onde isso vai chegar? E de que forma essas novas redes de relacionamento e de comunicação vão afetar a vida das pessoas?

Essa semana, o sistema da Polícia Civil da cidade de São Paulo saiu do ar, e eles ficaram impossibilitados de fazer boletins de ocorrência. Hoje, vários sistemas de serviços essenciais à população dependem da Internet para funcionarem, estamos fadados a isso, à incerteza, à vulnerabilidade. E como uma futura Relações Públicas, este cenário me preocupa.

Gostaria de listar alguns acontecimentos talvez nem tão relevantes, mas que marcaram em minha vida, por ter acompanhado a trajetória destes acontecimentos:

– Eleição do primeiro presidente negro dos Estados Unidos, Barack Obama

– Nosso País elege Dilma Rouseff, primeira mulher presidenta do Brasil.

– O Rei Roberto Carlos e Erasmo Carlos comemoram 70 anos de vida em 2011.

– Já faz 10 anos desde o atentado terrorista nas torres gêmeas.

– Em 2011, aconteceu uma das maiores tragédias no Japão, que deixou mais de 16 mil mortos/desaparecidos.

– Morre em 18 de Junho de 2010, José Saramago, um gênio da literatura portuguesa. Autor pelo qual possuo grande admiração.

– Ronaldo, o Fenômeno, se despede do futebol brasileiro. (Provavelmente Ronaldo estará para você, assim como Pelé está para mim. Não o vi jogar, mas conheço seu nome e sua fama no futebol brasileiro)

– Osama Bin Laden é morto pelo Exército Americano.

– Gripe Suína – vírus Influenza A H1N1 -“toma conta” do País e de grande parte do mundo, causando uma epidemia mundial.

– Supremo Tribunal Federal aprova a união estável homossexual.

– Minha geração é considerada “Geração Y”.

– Coca-cola lança a campanha: “Razões para acreditar, os bons são a maioria”.

– Em 2010e 2011 tivemos (e teremos) grandes shows internacionais de bandas excepcionais: RageAgainst The Machine no SWU, Paul Mccartney, System Of a Down, U2, Metallica, Pearl Jeam, entre outros.

Essa lista só me confirma o fato de que estamos rodeados de tragédias e acontecimentos ruins, não sendo as “coisas boas” maioria, como supõe a Coca-cola. Mas ainda temos motivos pra seguir em frente, que vai um pouco além do instinto de sobrevivência. Esperança. É o que tem permeado minha vida ao longo dos dias e acredito que da maioria das pessoas, porque sinceramente, o cenário que vejo hoje não é nada promissor. A vida humana na Terra vai mal…

Temos diversos problemas ambientais, espécies vivas que são extintas cada vez mais por ações humanas irresponsáveis, doenças incuráveis, “superbactérias”, nossos valores estão distorcidos e nosso mundo está repleto de pessoas que perderam a real essência do que é “ser humano”. Meus “heróis” estão morrendo, me deixando com um mundo cada vez pior para lidar e isso tudo é terrível. A geração “Y” está confusa diante da rápida e desenfreada atualização do mundo.

Mas ainda assim, sou feliz. Quando deixo de lado meu olhar analítico, percebo o quão boa é minha vida comparada ao que poderia ser. Acredito que ainda temos chance, e se você está lendo isso agora, talvez nossas chances tenham se multiplicado e tenhamos chegado a um patamar mais alto no nível de humanidade.

O que tenho aprendido na Universidade não têm preço. O conhecimento é algo de valor. E aqueles que oferecem seu conhecimento a outras pessoas, devem constantemente ser lembrados e homenageados. Essas pessoas não são meros professores, eu os considero como mestres. Pois apesar de tudo, têm dividido comigo e com meus colegas experiências pessoais e enriquecido nossa percepção do mundo. Provavelmente a maioria dos meus mestres já terá falecido quando essa carta for lida. Mas saiba você que eles foram imprescindíveis no amadurecimento de muitas pessoas, inclusive, a minha pessoa.

 Eu aposto que muito em breve será inserida a disciplina de “Relações Públicas nas Mídias Sociais” na grade do Curso, pelo “valor” que a Internet têm hoje no mundo. E seguindo essa linha de raciocínio, possivelmente, nossos futuros terroristas serão hackers ameaçando sistemas…

De um modo geral, a verdade é que não tenho muitas expectativas para o futuro. Só espero que ele aconteça e que seja melhor e mais humano do que os tempos em que vivo hoje. A maior expectativa que possuo é de que as pessoas sejam mais felizes, se sintam mais realizadas e encontrem mais tempo para desfrutar da vida, e passem menos tempo almejando aquilo que destrói almas: dinheiro.

Apesar de ser pessimista com a situação do mundo, é preciso acreditar, ver um pouco além do horizonte… E talvez chegar até onde você está agora, no ano de 2051. Não tenho certeza disso, mas espero estar viva quando essa cápsula for aberta. Espero poder sentir a brisa nostálgica do passado tocar meu rosto, quero reviver em minhas memórias tudo aquilo que sou agora, o frescor da juventude, a imaturidade emocional e linhas de pensamento nem tão óbvias ou sensatas. O fato é que, com meus 19 anos ainda não aprendi a viver a vida, e assumir o papel “de gente grande” que a sociedade me impõe, e espero sinceramente, que nunca aprenda com totalidade, para que meu coração nunca se conforme, nunca se acomode, nunca envelheça e que permaneça em mim, um espírito sempre jovem, universitário, uma eterna filha da PUC.

A MÁQUINA DO TEMPO 
Se a máquina do tempo nos tritura,
ao mesmo tempo cria imagens novas.
Renascemos em cada criatura
que nos traz do Infinito as boas novas.

Carlos Drummond de Andrade

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